Vôlei Quadra

Inclusão marca volta do Brasília Vôlei à Superliga Feminina

Vôlei ajudou Pedro Jardim, auxiliar técnico na equipe da capital federal, a realizar sonhos e vencer hemiparesia

14/08/2020 09:28 Por: Ace Esportes e Entretenimento
Pedro Jardim é auxiliar técnico no Brasília Vôlei e usou voleibol para vencer hemiparesia. Foto: Divulgação/Brasília Vôlei
Quando foi diagnosticado com hemiparesia, com apenas dois anos, Pedro Jardim e seus familiares não faziam ideia do quanto o esporte seria precioso em sua vida. Mais especificamente o vôlei. Com sequelas que afetaram todo o lado esquerdo de seu corpo, deixando um evidente desvio no quadril e na perna, além da diferença na força, era preciso contar com a atividade física para não ter mais prejuízo no desenvolvimento motor. Foi o que fez Pedrinho, que praticou natação, judô e handebol antes de chegar ao voleibol. Já com 12 anos, começou na modalidade e se apaixonou. Tanto que a transformou em sua profissão. Hoje, formado em educação física, é auxiliar técnico na equipe feminina adulta do Brasília Vôlei, que retornará à elite após conquistar a vaga na Superliga B em 2020.


“O vôlei me ajudou muito, já que eu precisava do esporte para não atrofiar minha musculatura devido a hemiparesia. Foi bacana demais juntar o útil ao agradável. Me encontrei na modalidade e meu desenvolvimento na base foi muito rápido. Tenho essa deficiência, mas sempre fui muito habilidoso. Um ano depois de começar, já estava jogando adulto aqui, em Brasília. Praticar voleibol me ajudou demais no tratamento, me ajudou demais com minha deficiência”, disse Pedro. 

Curiosamente, ainda no início da adolescência, Pedrinho viveu seus primeiros momentos na modalidade justamente onde trabalha atualmente, no Sesi Taguatinga, casa do Brasília Vôlei. Na época, em 2005, conseguiu sua primeira grande vitória nas quadras, uma bolsa de estudos para defender o Colégio Santa Terezinha. Depois daí, não parou mais.
 

“Comecei no Sesc, em 2004. Fiquei um ano e fui para o Sesi, que é onde trabalhamos hoje. Foi muito bacana poder voltar, já formado, após ter parado de jogar vôlei e contribuir de uma outra forma. Aprender muito mais do que contribuir. Integrei a equipe do Amigos do Vôlei, projeto das ex-jogadoras Leila (hoje senadora) e Ricarda, e tive rápidas passagens pelo interior de São Paulo, onde pude disputar Jogos Regionais e Jogos Abertos. Sempre soube que minha vida no vôlei seria curta, sabia que a altura e a deficiência iriam me limitar. Então, quando me formei na escola, decidi cursar educação física para não deixar o voleibol. Eu tinha certeza que conseguiria escrever uma história legal, que traçaria meu caminho de uma outra forma”, explicou o assistente técnico.

Ser auxiliar técnico do time feminino adulto do Brasília Vôlei é a realização do sonho. Desde 2018 na comissão técnica da equipe candanga, Pedro também é assistente técnico do sub-20 masculino. Mas o trabalho dele e de outros integrantes do projeto se estende pelas diversas categorias mantidas pelo projeto. Incluindo escolinhas.

“Sou auxiliar técnico do adulto feminino e assistente técnico no sub-20 masculino. Toda a comissão técnica ajuda no desenvolvimento da molecada. Eu trabalho com a base, o Fernando trabalha com a base, o professor Douglas, o professor Edinho... O projeto tem a intenção de promover uma reformulação do esporte em Brasília. E estamos muito envolvidos. Eles são o futuro e temos que estar envolvidos, temos que estar trabalhando junto com eles para que futuramente possam estar integrando as equipes adultas. Antes da pandemia, as escolinhas estavam funcionando também a todo vapor, mas tiveram que ter as atividades paralisadas. Esperamos que tudo passe logo para o trabalho voltar a ser realizado”, falou Pedro.


Seguindo todas as normas sanitárias impostas pelo governo do Distrito Federal, o Brasília Vôlei não retomou os trabalhos para a temporada. A expectativa, no entanto, segue em alta, principalmente depois da bela campanha na Superliga B, que terminou com o retorno da equipe à elite da modalidade feminina. E para fazer bonito quando os jogos voltarem, a comissão técnica contará com contratações de atletas experientes e promete muito trabalho.

“O time está bem, a gestão está fazendo um papel memorável na estruturação para atletas e comissão técnica. As contratadas para esta temporada foram escolhidas a dedo e já passaram por grandes times. O clube fez uma Superliga B muito boa. A pandemia atrapalhou os planos que tínhamos de estar numa possível final, mas a vaga foi conquistada. Por isso, nossa expectativa é a melhor possível. E Brasília merece. Assim como o vôlei do Brasil merece uma equipe representante do Distrito Federal”, encerrou Pedro, esperando que sua história possa inspirar mais pessoas a seguirem em busca de seus sonhos.


“Hoje sou treinador nacional nível III e tudo isso graças a essa paixão pelo voleibol. O esporte nos dá a oportunidade de aprender muito e além das quadras. É um aprendizado diário sobre humanidade. Gratidão define a minha trajetória até aqui e espero continuar escrevendo uma bela história. O voleibol me deu uma vida e quero retribuir da melhor forma possível”.

O Brasília Vôlei anunciou seu elenco para a temporada 20/21 e contará com a chegada de atletas experientes, que se juntam a peças que estiveram na recente disputa da Superliga B. O treinador Rogério Portela terá a sua disposição as levantadoras Ju Carrijo, Vivan Lima e Leticia Linhares, as opostas Sara Dias e Ariane, as centrais Vivi Goes, Fernanda Isis, Geovana, Aline Cristina, Edna, as ponteiras Paula Mohr, Isabela Paquiardi, Ingrid Bernardes e Silvana, além da líbero Vitória.

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