Vôlei Quadra

Pandemia, renascimento e inspiração: O 2020 do campeão Thiago Alves

Medalhista de prata nas Olimpíadas de Londres e um dos principais nomes de sua geração, ponteiro viveu anos de sofrimento até se reencontrar no Vedacit Guarulhos

24/07/2020 16:41 Por: Ace Esportes e Entretenimento
Thiago Alves foi um dos principais nomes do Vedacit Vôlei Guarulhos na campanha de acesso na Superliga B
Surgir como uma das maiores promessas do vôlei brasileiro, se firmar entre os melhores, defender seu país, jogar ao lado de ídolos, dos melhores do mundo, e estar no pódio olímpico. Esse é o resumo da carreira da Thiago Alves até as Olimpíadas de Londres (2012). No entanto, o maior adversário ainda estava por vir. E fora das quadras. Convivendo com um problema no ombro direito por anos, o ponteiro peregrinou em busca de uma solução e acabou encontrando em ‘sua casa’, Porto Alegre, há dois anos. Desde então, esperava a oportunidade de se firmar e mostrar que ainda é o mesmo que impressionou o mundo no início dos anos 2000. Encontrou essa chance este ano, no Vedacit Vôlei Guarulhos, mas teve seu renascimento pausado pela pandemia do novo coroanvírus. Uma paralização que está servindo como motivação para que o retorno seja ainda mais prazeroso.


“O Vedacit Vôlei Guarulhos foi um achado para mim. Vivi uma batalha muito grande, onde fiquei praticamente dois anos sem jogar. Durante a temporada passada, cheguei a treinar em quatro times diferentes antes de chegar aqui. E desde o início vi a interação de todos. Eles valorizam demais os profissionais que estão aqui e posso dizer que é uma relação que deu muito certo, apesar de ter sido tão curta ainda”, elogiou Thiago Alves.

O ponteiro, que fará 34 anos neste domingo (26.07), revelou o período em que ficou parado, desde 2018, em virtude da sua última operação, que o curou da lesão implacável que tinha no ombro direito. No entanto, sua busca por uma solução que o colocasse novamente no patamar dos melhores do mundo começou bem antes.

“Eu dividiria o período em que convivi com essa lesão em dois. No início, em 2014, achei que seria mais tranquilo. Desde muito novo eu já estava acostumado a sentir dor, ter algum probleminha e resolver. E achei que seria assim quando surgiu a questão do ombro. A coisa mudou de figura quando vi que não passava. Fui a muitos profissionais, em vários estados, e sempre ouvia o mesmo diagnóstico. Seguia as recomendações, mas continuava a sentir que tinha algo mais. E foi ficando cada vez mais difícil para mim, pois eu percebia que tinha algo mais que me fazia estar tão limitado. E eu precisava encontrar o que era de qualquer maneira. Foram momentos difíceis”, explicou o ponteiro. 


Thiago Alves recorda que sua última passagem pela seleção brasileira é como um marco da virada de sua carreira. Depois disso, ele chegou a defender grandes clubes, jogou fora do Brasil, mas já não conseguia ser o mesmo ponteiro passador de antes.

“O meu último ano na seleção foi em 2013. Fomos vice-campeões da Liga Mundial e depois, durante o Sul-Americano, operei o cotovelo. Depois disso, não defendi mais o Brasil. Neste mesmo ano, em dezembro, tive um estiramento nas costas, mais perto da região da escápula, e comecei a sentir o desconforto no ombro. Mas só um ano depois, no final de 2014, quando já estava jogando no Japão, que tive um estiramento no cabo longo do bíceps, no tendão, e passei a ter dificuldade para jogar. Ali, comecei a procurar para entender o que eu tinha. Não parei de jogar, ainda passei por Sesi, Itália, Maringá até descobrir, em Porto Alegre, minha verdadeira lesão. E tinha a necessidade de uma intervenção cirúrgica”, contou Thiago Alves.


Quis o destino que a cura fosse encontrada perto da família, em sua cidade natal. Sob os cuidados do ortopedista Douglas Carpes, integrante da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte e médico dos hospitais Mãe de Deus e Santa Casa de Porto Alegre, Thiago Alvez fez três correções e seguiu um longo caminho até voltar a jogar com confiança e sem dor.

“Ele foi um anjo que veio e me salvou, me consertou. Tenho um carinho muito grande pelo Dr. Douglas. Fiz três correções. Como todos sabem, o ombro não é uma articulação fácil. Pelos movimentos que é capaz de fazer, exige um cuidado grande, uma fisioterapia específica e pesada no pós-cirúrgico. E lógico que demora um tempo a mais para tu se sentir 100%. Pelo que eu planejei, muita coisa está dando certo. Tem que ter paciência, estou para completar dois anos da cirurgia agora, em agosto. Agora já me sinto cada vez melhor, praticamente curado. E a confiança está vindo no dia a dia, com a prática, com os treinos, com os fortalecimentos. É muito bom poder executar movimentos e fazer coisas que eram tão comuns para mim sem dor e limitação”, comemora o medalhista olímpico.


O recomeço foi pré-pandemia, na disputa da Superliga B. Enquanto a competição estava sendo realizada, o Vedacit Vôlei Guarulhos seguiu firme como candidatíssimo ao título. Mas a competição precisou ser paralisada. A vaga veio, em virtude da ótima campanha, mas o pensamento era de que todos poderiam ter conquistado o primeiro título do time.

“Ficamos de ponta a ponta na liderança. Conseguimos o acesso, com muito trabalho e méritos, mas não foi como a gente queria. A competição foi muito equilibrada e queríamos ter jogado os playoffs e, quem sabe, ter conquistado o título jogando. É claro que ficamos felizes com a vaga na Superliga, mas faltou esse desfecho. Pessoalmente foi um grande feito. Tenho como objetivo pessoal fazer uma grande temporada. Jogamos pouco nessa Superliga B, mas foi muito bom já ter jogado. Sei que terei agora uma sequência maior, de muitos meses. Voltarei a ter uma rotina, com mais jogos e poderei mostrar o que posso apresentar como atleta. Vou trabalhar muito e sei que tenho muito a dar ainda. Nesta temporada colocarei isso a prova”, disse, fazendo planos ambiciosos para a temporada que virá.

“A expectativa é que tenhamos um grupo forte, muito legal, com jogadores com potencial. Muitos jovens, alguns mais experientes, como eu e o Sandro (levantador). Já vejo um grupo que tem uma característica forte de ser jogueiro, que vai batalhar pelas vitórias e tem condição de ir longe. Vamos sonhar alto e vamos trabalhar, passo a passo, para fazer história”.

A reapresentação no Vedacit Vôlei Guarulhos será na primeira segunda-feira de agosto (03.08). E para chegar bem lá, Thiago Alves se cuidou bastante durante os últimos meses, psicológica e fisicamente. “Fiquei em casa, em São José, Santa Catarina, onde tenho casa. Tentei sempre me manter em atividade, da maneira que foi possível, para ganhar algumas etapas neste retorno. Me cuidei bem mesmo e agora estamos próximos de voltar ao trabalho”.


E se o futuro reserva a realização do sonho de estar de volta à elite do voleibol nacional, jogando sem dores, Thiago Alves revela que o passado recente trouxe outra realização, mesmo que tenha sido como torcedor.

“Estar desde cedo na seleção foi incrível. Mas a minha concorrência era ingrata. Eram todos meus ídolos, jogadores fenomenais, fantásticos, escolhidos os melhores do mundo, em vários campeonatos. Só tinha craque. Quando chegou a vez da minha geração assumir um papel maior, eu estava justamente neste período difícil. Dói. É uma dor de querer estar junto. Depois da prata, em Londres, sei bem como deve ter sido incrível ganhar em 2016. Fiquei feliz demais e orgulhoso deles. E imagino que eu possa ter contribuído com 0,000001% ao menos. Não só eu, mas como outros que cresceram com essa geração incrível”, encerrou o ponteiro.

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