Vôlei Quadra

Vôlei moderno aliado à ciência favorece legião de quarentões

Novos métodos de prevenção e tratamento de lesões, preparação física individualizada e profissionalismo dos atletas tem proporcionado carreiras mais longas nas quadras do Brasil

12/06/2020 16:22 Por: Ace Esportes e Entretenimento
A cada ano mais quarentões tem brilhado nas quadras do Brasil e do mundo. Novos métodos de treinamento, de prevenção, de preparação física e de tratamento têm contribuído muito para uma longevidade maior dos atletas, mas será só isso? O Sou+Vôlei foi em busca de depoimentos de quem está diretamente ligado à essa evolução para ter essa resposta. E constatou que além de todos os fatores citados anteriormente, a mudança de postura dos atletas também influenciou, e muito, esse fenômeno.


Aposentado recentemente, o maior líbero de todos os tempos, Serginho, pode falar com propriedade sobre o tema. Jogou até os 44 anos e credita sua longevidade à disciplina. “Minha posição me ajudou muito a chegar aos 44 anos jogando. Mas eu sempre me cuidei, sempre levei minha vida esportiva muito a sério, sempre usei o repouso como um treino. E o descanso é muito importante. Nunca desviei dessa minha rotina”, analisou Serginho, deixando seu conselho para quem pretende ter uma carreira longa como a dele.

“Vai da consciência de cada um, mas acredito que tem que descansar quando tem que descansar, dormir na hora que tem que dormir, treinar na hora que tem que treinar e se alimentar bem. Alimentação conta muito. É a disciplina de cada atleta que dá a ele longevidade”.


Outra campeoníssima que brilhou nas quadras até seus 45 anos foi a levantadora Fofão. Assim como Serginho, a ex-levantadora aponta a dedicação do atleta como principal fator da longevidade, mas apontou outros fatores importantes.

“O que me fez jogar até a idade que joguei foi a maneira como me cuidei. A maneira como o atleta se alimenta, o descanso, isso influencia muito. Mas existem outros fatores. Hoje os profissionais se preocupam mais com a condição física do atleta, tem um trabalho forte de prevenção. Antigamente você machucava e só depois fazia prevenção. Ter um cuidado maior na quantidade de treino, de exigência, também contribui para o atleta a ter uma longa carreira, maior que as de antigamente. As jogadoras da minha geração, não foram muito longe, pois tiveram muitos problemas de lesão”, disse Fofão, destacando que a experiência ‘facilitou’ seu trabalho.

“Depois dos 40, senti uma diferença incrível na maneira como eu lidava com todas as situações, de conhecer tanto o meu corpo a ponto de saber o momento em que eu poderia me lesionar”.

Médico da seleção brasileira masculina de vôlei e do Rio de Janeiro nas últimas décadas, Ney Pecegueiro do Amaral explica e cita os avanços da sua área que propiciaram mais tempo em quadra para nossos craques. De acordo com ele, lesões são as responsáveis pelo encerramento precoce de quase todas as carreiras. “Não resta a menor dúvida que os atletas estão conseguindo jogar até mais tarde. E a grande maioria para por lesões. Quase que a totalidade dos atletas encerra sua carreira pelo grande número de lesões que vão sofrendo quando vão ficando mais velhos”, afirmou Dr. Ney.
 

O ortopedista comparou o trabalho realizado hoje pelas comissões técnicas ao redor de todo o mundo com o que era feito há alguns anos. Ambos buscam a máxima eficiência, mas a tecnologia faz toda a diferença quando o assunto é longevidade.

“Hoje conseguimos identificar, com toda a tecnologia que usamos, o grau da carga de treinamento, da sobrecarga, quando podemos atingir a sobrecarga, quando podemos poupar o atleta e como podemos gerar um treinamento mais eficiente. E isso quer dizer o máximo de rendimento com o mínimo de desgaste. Antigamente tínhamos também o máximo de rendimento, mas com muito desgaste”, explicou, detalhando o que é feito nas seleções e clubes.

“Acompanhamos tudo. Número de saltos, de desaceleração, altura ados saltos... Com isso, conseguimos fazer uma programação específica para que cada atleta tenha um ganho de performance sem um desgaste excessivo. Associado a isso, também tem a melhora da nutrição e do foco. Hoje os atletas ficam mais focados na duração da carreira e na prática da atividade. Isso tudo faz com que os atletas consigam um pouco mais de tempo na sua carreira”.


Campeão olímpico em Atenas-2004, o ex-central Rodrigão interrompeu a aposentadoria para disputar a última Superliga C, aos 40 anos, sendo técnico e jogador Santos/Praia Grande. E lembrou que a situação seria impensável algumas décadas atrás, quando a equipe só conseguia pontuar quando o adversário errava duas vezes seguidas (vantagem).

“Mudou bastante. A própria regra do voleibol facilitou demais. Hoje, não tem tantos jogos com mais de duas horas. Raramente isso acontece. As partidas são mais rápidas e tranquilas de jogar até o final, o que facilita”, lembrou Rodrigão, também destacando a diferença entre o treinamento de antigamente com o de hoje.

“Quando comecei, corríamos 40 minutos e fazíamos 500 saltos por dia. Hoje, isso não acontece. A preparação física é mais focada em força e prevenção. Ficou mais fácil jogar voleibol. Com 40 anos, você aguenta um rali de 20 segundos, isso quando atinge esse tempo. Normalmente, são cerca de oito segundos de bola no ar”.


Um dos destaques da Superliga Banco do Brasil feminina nos últimos anos, a central Carol Gattaz ainda não entrou no hall dos quarentões. Mas, aos 38 anos (completa 39 em julho), já vem se cuidando bastante e fazendo um trabalho específico para manter seu alto rendimento no Itambé Minas.

“Meu trabalho sempre tem que ser um pouco diferenciado das demais. Mas isso só vale porque eu conheço muito o meu corpo hoje e sei meus limites. E tenho a sorte de contar com profissionais que entendem o que preciso.  A evolução da medicina ajuda também. Temos mais opções hoje do que há 15 anos. Suplementações, as orientações de nutricionistas e fisioterapeutas a respeito de prevenção é imprescindível”, opinou Gattaz, lembrando do aspecto mental, que gera um bem estar e dá sua contribuição sobre o tema.

“Tenho certeza absoluta que desde que eu cheguei no Minas, só cresci. Encontrei minha casa e, sem dúvida nenhuma, está sendo o melhor momento da minha carreira. Para mim, idade é só um número”. 

Outros grandes campeões continuam em quadra mesmo beirando ou tendo passado dos 10 anos. Entre as mulheres, destaque para as centrais Walewska (40), do Dentil Praia Clube, de Uberlândia, e Juciely (39), do Sesc RJ. Entre os homens, o ponteiro Filipe (40), do Sada Cruzeiro, e o levantador William Arjona (40), que defendeu o Sesi na última temporada.

Fotos: CBV e COB

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