Vôlei Quadra

Campeões olímpicos seguem na 'profissão voleibol' fora das quadras

12/06/2020 09:41 Por: Ace Esportes e Entretenimento
Anderson e Giovane com Maurício, Rodrigão e Nalbert, em Atenas 2004
Dentro de quadra eles foram decisivos e muito vencedores. Dono do melhor voleibol do mundo, o Brasil já “produziu” várias gerações de campeões olímpicos. Quando aposentados, a maioria desses ídolos seguem ligados a projetos de vôlei, mas poucos seguem a dura rotina de treinar uma equipe de alto rendimento. Entre as mulheres, nenhuma. A equipe do Sou+Vôlei foi atrás de respostas para explicar um pouco como é essa transição.

Entre os 51 campeões olímpicos com a camisa do Brasil, somando os cinco títulos (três do masculino e dois do feminino), apenas dois seguiam, na última temporada, dirigindo times que disputam a Superliga Banco do Brasil. Giovane Gávio, dono de duas medalhas de ouro (Barcelona 92 e Atenas 04), e Anderson, campeão em 2004, comandaram, respectivamente, o Sesc RJ masculino e Sesi Bauru feminino. E não sabem dizer o motivo de poucos companheiros seguirem no alto rendimento, trabalhando dentro das quadras. No entanto, lembram que quase todos seguem ligados ao voleibol.
 

 
“Não tenho uma explicação. Acho que faltou vontade de ser treinador. Mas temos muitos campeões envolvidos com o vôlei de outras formas. O Paulão está envolvido com um projeto em Santa Catarina, Jorge Edson, em Curitiba, Carlão é comentarista, Marcelo Negrão trabalha com educação física e está com a base do Sesi também. Maurício trabalha no projeto de Campinas, como gestor, junto com o André Heller, Talmo é professor e já foi técnico na Superliga. Douglas já foi treinador também, em São Bernardo, Giba trabalha na FIVB, Anderson é técnico, Nalbert, comentarista, Ricardinho é gestor em Maringá, André Nascimento trabalha em Itapetininga. Rodrigão tem projeto em Santos, Tande foi comentarista, Amauri é técnico da seleção paralímpica, Gustavo é gestor de Canoas, Serginho jogou na última temporada e está envolvido em projeto social com o vôlei, Dante é gestor em Anápolis. O Pampa está ligado a projetos esportivos...”, comentou Giovane Gávio, treinador do Sesc RJ e que já foi campeão da Superliga, em 2011, quando estava à frente do time masculino do Sesi SP.

Para continuar atuando nas quadras, como treinador, de acordo com os campeões, é importante que a transição comece ainda nos últimos anos de carreira. Este, talvez, seja o maior segredo para quem quer seguir trabalhado em uma equipe de alto rendimento. Aliado a muito estudo, o resultado costuma ser positivo.

“Essa transição vai acontecendo nos últimos anos da carreira. Mas vai precisar de mais cinco a seis anos para virar a página realmente de atleta para técnico. Percebi que queria seguir essa carreira quando comecei a ser técnico dentro de quadra e a conversar mais com outros treinadores. São emoções diferentes. O técnico tem o prazer de ensinar algo aos atletas. Saber que você fez parte do crescimento de alguém como ser humano é muito gratificante. O esporte nos educa de uma maneira que nem a própria universidade consegue. Ensina a respeitar o próximo, limites e disciplina. A maior sensação das duas funções e saber que você está fazendo a coisa certa. Que a sua dedicação está sendo reconhecida e que seu empenho vale a pena. Quando isso acabar, é melhor mudar de ramo”, opinou Anderson, deixando seu conselho para quem quer seguir o caminho.
 

 
“O mais importante é começar na base e entender sistema tático e técnico. É preciso saber que a condição de jogador já não existe mais. É a parte mais difícil. Depois, é fazer com que os atletas entendam o que você está tentando passar, seguindo sempre sua convicção. Isso é fundamental. É claro que, como técnico, você sempre vai botar em prática tudo aquilo que vivenciou, mas olhando o jogo de fora para dentro e não se colocando como se estivesse ao seu alcance fazer algo. Isso já não importa mais. Tem de dar a melhor opção aos atletas”. 

Entre as campeãs olímpicas de 2008 e 2012, das que já encerraram a carreira, nenhuma segue a carreira de treinadora. E, assim como os homens, elas não têm uma explicação para tal. Mas seguem ligadas ao voleibol, cada uma a sua maneira, inspirando novos talentos por todo o Brasil.

“Quando eu comecei a pensei em parar de jogar, considerava essa possibilidade, porque estar ali perto da quadra é uma coisa que eu amo. Fiz curso de nível 1, estudei um pouco, mas surgiu a possibilidade de trabalhar como comentarista, que eu também gosto muito. Eu já tinha experimentado, seria uma forma de ter um emprego no meu pós-voleibol e me manter no esporte. Não sei a resposta de não termos mulheres ocupando esses espaços como técnicas, comandando. É uma coisa que eu me pergunto. Às vezes me questiono, mas não sei responder. Não só como técnica, mas também como gestora, dirigente e etc. Acho que não há uma resposta exata”, afirmou Fabi, bicampeã olímpica, levantando uma hipótese para não termos mulheres no comando de times de alto rendimento.

 
“Quando optei por ser comentarista, pesei o fato de eu ter vivido por 20 aquela rotina de atleta. E, agora, pensar um pouco em desacelerar. Eu formei uma família, tivemos uma filha e queria me dedicar à família. A rotina de time é muito dura, difícil, exige muita dedicação e muito tempo longe. Mas é uma coisa para a gente questionar. Eu espero que em um futuro bem próximo a gente tenha mulheres nos representando em cargos de comando também”, disse Fabi, corroborada por Fofão, campeã olímpica em 2008 e antiga companheira de time.

“Quando você é mulher e atleta, não consegue ter uma vida tranquila, normal. A gente abre mão de muita coisa, não cuidamos da família, muitas não conseguem se programar para ter filhos. Você acaba se afastando do dia a dia, dos compromissos de mãe, de filha. E no momento que parar de jogar, quer viver tudo isso. Quer parar para poder ter uma vida normal. Se for fazer parte de uma comissão ou até mesmo ser técnica, vai ser ter que seguir novamente aquela vida. Imagino que não é o desejo da maioria”, opinou Fofão.
 

 
Ainda ligada ao voleibol, dando clínicas e palestras por todo o Brasil, a levantadora aposta que a união de estudo à experiência nas quadras pode gerar mais ex-campeãs como treinadoras no futuro.

“Não basta ter sido somente atleta. Precisa de conhecimento e estudo para seguir em frente. Acredito que o atleta precisa ser mais incentivado a conciliar estudo com vôlei. Talvez isso faça ele ter mais curiosidade e uma profissão depois de parar de jogar. Inclusive a de técnico”, encerrou.

Fotos: Sesc, CBV, FIVB e Arquivo pessoal

PATROCINADOR OFICIAL

PARCEIROS OFICIAIS


© Copyright 2020 Sou Mais Volei. Todos os direitos reservados.